Uma História dos Piratas de Nassau: Uma República Pirata
Henry Avery, o famoso capitão pirata cuja chegada a Nassau inspirou inúmeras histórias e lendas, antes de simplesmente desaparecer, foi, em muitos aspectos, o pirata que deu início a tudo.
Se Henry Avery tivesse sido capturado ou morto, a história da pirataria provavelmente seria bem diferente daquela que conhecemos hoje. Mas, após seu desaparecimento em 1696, começaram a circular histórias sobre seu paradeiro. Na verdade, alguns acreditavam que ele tivesse retornado a Madagascar e ao seu “reino pirata”, onde ele e seus homens viviam no luxo, usando seu tesouro para construir uma cidade opulenta só para eles.
No ano do desaparecimento de Avery, um adolescente chamado Edward Teach (ou Thatch) crescia em Bristol, na Inglaterra. As histórias sobre Avery e suas aventuras ao redor do mundo, além de sua fortuna ilimitada, devem ter chegado aos ouvidos do jovem quando ele iniciava sua própria carreira como marinheiro. Provavelmente servindo como corsário durante a Guerra da Rainha Anne, Teach tornou-se um marinheiro experiente e, em 1716, já se encontrava em Nassau.
Não sabemos exatamente quando Teach nasceu, mas historiadores estimam que ele tivesse cerca de 30 anos quando se juntou à tripulação de Benjamin Hornigold e se tornou pirata. Hornigold já era um pirata consagrado, e foi ele quem declarou Nassau uma “República dos Piratas”. Ele deu a Teach o comando de um sloop (um navio pequeno, rápido e ágil) e os dois capturaram vários navios e começaram a formar uma frota.
Logo, Teach se tornou um dos piratas mais poderosos do Atlântico, e ele e sua fragata de 40 canhões, a Queen Anne’s Revenge, ficaram famosos por todo o Caribe. A essa altura, Teach já era conhecido por outro nome, aquele pelo qual ainda o chamamos hoje: Barba Negra.
Com Nassau como base, Barba Negra e sua frota, que agora contava com mais de 400 piratas sob seu comando, navegavam por todo o Atlântico, chegando ao norte até a Nova Inglaterra. Ele ganhou seu novo nome ao deixar crescer uma barba grande e imponente e pendurar pavios acesos ao longo do rosto, de modo que a fumaça subisse além de seus olhos largos e penetrantes. As seis pistolas que ele pendurava no peito como uma bandoleira eram quase supérfluas diante de um espetáculo tão ameaçador.
Essa geração de piratas, ao contrário das histórias de terror comumente ouvidas na época de Henry Avery, era conhecida por tratar seus prisioneiros com justiça. Médicos ou cirurgiões eram, normalmente, os únicos tripulantes obrigados à força a permanecer com os piratas. Muitas vezes, quando um navio da marinha era capturado, grande parte da tripulação se juntava voluntariamente à causa pirata, em busca de melhor tratamento e remuneração mais justa. Ex-escravos já chegaram a representar quase 25% dos piratas no mar. O restante da tripulação capturada costumava ser libertado, juntamente com a carga desnecessária para os piratas.
É claro que não havia nada de fácil em ser pirata. Como observa Colin Woodward em seu livro *The Republic of Pirates*, havia um ditado na época: “Quem vai para o mar por prazer vai para o inferno por diversão.” Era uma vida difícil, mas que prometia liberdade em alto mar e a possibilidade de fortuna infinita.
De volta a Nassau, mais de mil piratas agora chamavam aquela pequena cidade de lar. Eles superavam em muito os cerca de 100 cidadãos da cidade e, em todos os aspectos importantes, era uma verdadeira República dos Piratas. Frequentemente, eles operavam a partir do Forte Antigo de Nassau e naufragavam navios na entrada do porto para fortalecer ainda mais a cidade contra ataques britânicos e espanhóis.
Nassau era a base perfeita para piratas por várias razões. Com força humana, pequenos barcos podiam ultrapassar até mesmo os maiores e mais rápidos navios de linha da marinha — navios grandes, pesados e bem armados que literalmente se alinhavam em batalha para disparar salvas laterais contra o inimigo — remando contra o vento. Essencialmente, isso significava que Nassau tinha uma rota de fuga natural, pois a entrada leste do porto era rasa demais para qualquer embarcação que não fosse das menores. Além disso, as ilhas vizinhas possuíam inúmeros canais e enseadas inexplorados onde os piratas podiam se esconder após seus ataques.
Em 1718, quando tinha apenas cerca de 38 anos, Barba Negra encontrou seu destino na Carolina do Norte. Ele foi morto durante uma batalha feroz a bordo do navio do tenente Robert Maynard, que havia mandado seus homens se esconderem abaixo do convés antes de serem abordados por Barba Negra e seu bando. Barba Negra foi pego de surpresa e se viu envolvido em um combate corpo a corpo com Maynard. Barba Negra conseguiu quebrar a espada de Maynard antes de ser atacado pelos homens deste, que haviam cercado os dois capitães enquanto lutavam.
Barba Negra foi atingido por pelo menos cinco tiros e apunhalado pelo menos 20 vezes. O pirata mais famoso do Atlântico estava agora morto, e “Calico” Jack Rackham e Charles Vane, dois dos outros piratas mais temidos do mar, logo encontrariam seus próprios fins violentos, ambos capturados e executados nos dois anos seguintes.
Perguntas frequentes - A história dos piratas de Nassau
Nassau, The Bahamas, esteve sob o controle de piratas por cerca de 11 anos, de 1706 a 1718.
No início do século XVIII, Nassau ficou conhecida como a “República dos Piratas”, atraindo piratas famosos como Barba Negra (Edward Teach), Calico Jack Rackham e Charles Vane.
Em seu auge, cerca de 1.000 piratas viviam e atuavam por lá, usando o porto de Nassau como base para atacar navios espanhóis, franceses e britânicos.
Em 1718, o governador britânico Woodes Rogers chegou, restaurou a ordem e declarou que Nassau não era mais um reduto pirata, encerrando efetivamente a República Pirata.